segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Participantes

 

Ato-Rede 2021

Participantes

  1. Ana Lucia Faria da Costa Rodrigues (UFRJ)
  2. Ana Lucia Lage (UFBA)
  3. Ana Paula Lemes de Souza (FND/UFRJ)
  4. Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ)
  5. Carolina Alves d'Almeida (UFF)
  6. Cláudia Santos Turco (Fiocruz)
  7. Daniela Alves de Alves (UFV)
  8. Daniele Martins dos Santos (TJ/TJ)
  9. Eduardo Nazareth Paiva (UFRJ)
  10. Fátima Kzam Damaceno de Lacerda (UERJ)
  11. Gabriela Dias Blanco (UFRGS)
  12. Henrique Cukierman (UFRJ)
  13. Isabel Cafezeiro (HCTE/UFRJ, UFF)
  14. IVAN DA COSTA MARQUES (HCTE/UFRJ)
  15. Janaina da Silva Seraphim (HCTE UFRJ)
  16. João Sérgio dos Santos Assis (UFRJ)
  17. José Marcos Silveira Gonçalves (UFRJ)
  18. JULIANA COUTINHO OLIVEIRA (HCTE/UFRJ)
  19. Lucas Lial da Silva (UFRJ)
  20. Lucas Teixeira Reis Barbosa (UFRJ)
  21. Marcia de Oliveira Cardoso (UFRJ)
  22. Marcia Moraes (UFF)
  23. Marcia Regina Barros da Silva (USP)
  24. Marcos Fialho de Carvalho (UFRJ)
  25. Marcos Vinício Chein Feres (UFJF)
  26. Margarida Maria Lacombe Camargo (UFRJ)
  27. MARIA CELESTE DE JESUS (HCTE/UFRJ)
  28. Maria Cristina de Oliveira Cardoso (HCTE/UFRJ)
  29. Mario Cesar da Silva Andrade (UFJF)
  30. MIGUEL JONATHAN (UFRJ)
  31. Natália Lucero Frias Tavares (UFRJ)
  32. Patrick Luiz Martins Freitas Silva (UFRJ)
  33. Raquel Siqueira da Silva (UFSB)
  34. RICARDO REIS MESSAGGI (UFRJ)
  35. Ulisses Heckmaier de Paula Cataldo (UFRJ)
  36. Victor Luiz Alves Mourão (UFV)

Provocação "É mesmo o Direito a Garantia do Exercício da Possibilidade ou mais Galimatias?" (Eduardo Paiva)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

É mesmo o Direito a garantia do exercício
da possibilidade ou mais galimatias?

Eduardo Paiva


Aforismo 27 do Manifesto Antropófago (Oswald de Andrade,1928)

Provocação "A Vida não é Útil" (João Sérgio Assis)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

A Vida não é Útil

João Sérgio Assis


Por que está frase de Ailton Krenak é tão difícil de ser compreendida por nós modernos?

Latour, no primeiro capítulo de Ciência em Ação, fala que para estudar antropologicamente a ciência temos que abandonar todas as nossas ideias preconcebidas sobre conhecimento. "Deixai o saber sobre o saber, ó vós que entrais". Latour, de forma genial, adapta o método da antropologia, criado para estudar culturas estranhas à nossa, para o estudo de algo de nossa própria cultura.

Porém esta proposição tem um problema: como a ciência está presente em nossas vidas desde que nos entendemos no mundo, ainda mais para nós que estamos na academia, não basta nos livramos das naturalizações acerca do conhecimento, temos de nos livrar de naturalizações que estão na base da nossa própria cultura ocidental-europeia-capitalista-cristã.

Abro um parênteses, chamar de nossa esta cultura não é um desejo, mas uma constatação. O fato de estarmos na margem, de sermos marginalizados pelo centro e de termos esta cultura mesclada com outras não nos exclui deste universo cultural OECC, pelo contrário não há Centro sem periferia e é na periferia onde as fronteiras com outras culturas vão se diluindo. Fecha parênteses.

Não é possível conhecer antropologicamente a ciência sem nos livrarmos de naturalizações que estão na base do modo de existência ocidental-europeu-capitalista-cristão que "inventou" o que chamamos de ciencia.

"Estamos a tal ponto dopados por essa realidade nefasta de consumo e entretenimento que nos desconectamos do organismo vivo da Terra", escreveu Krenak.

É necessário, portanto, desnaturalizar a propriedade, o trabalho, o dinheiro, o financiamento, o lucro, a utilidade, o individualismo, para que possamos começar a nos dedicar a essa tarefa.

Por que uma ideia tem de ter dono? Por que o trabalho tem de ser útil? Por que algo tem de ser útil para alguém? Por que o trabalho deve produzir lucro para alguém? Por que tudo vira mercadoria?

O fato destas perguntas parecerem ingênuas, tolas até, é o sinal de que a modernidade está tão entranhada em nós que temos dificuldade para realizar o estranhamento antropológico para estudar a ciência.

Como falar "propriedade intelectual" sem desnaturalizar a propriedade, o trabalho, a utilidade? Como falar de "preservação ambiental" sem desnaturalizar o dinheiro, o lucro, o individualismo? Como falar de "vacinas" e "negacionismos" sem exorcizar financiamentos, lucros e a individualidade tóxica?

domingo, 12 de dezembro de 2021

Programação Planejada

Programação Planejada do Ato Rede 2021

Encontros virtuais



Segunda-feira 13 de Dezembro de 13:30 até as 16:30
Tema: Direito, Ciência e Tecnologia
Convidados: Margarida Camargo (UFRJ)
Ana Paula Souza (UFRJ)
Gabriela Blanco(UFRGS)
Mario César (UFJF)
Marcos Feres (UFJF)
Provocações:
  1. Discutindo o direito de propriedade intelectual por outros olhares
    Marcos Vinício Chein Feres

  2. A Vida não é Útil
    João Sérgio Assis

  3. Quem Ama Veste a Camisa
    Eduardo Paiva

  4. Consensos e Consensos sobre os Fatos
    Miguel Jonathan

  5. Como ser Anticientífico
    Eduardo Paiva

  6. Marketing da Verdade
    Miguel Jonathan

  7. É mesmo o Direito a garantia do exercício da possibilidade ou mais galimatias?
    Eduardo Paiva


Terça-feira 14 de Dezembro de 9:30 até as 12:30
Tema: Controvérsias da Cannabis no Brasil
Convidado: Victor Mourão (UFV)
Provocações:
  1. Uso Medicinal da Cannabis
    Marcia Moraes

  2. Mantendo o Respeito e Prestando Atenção
    Juliana Coutinho

  3. Desigualdade Internacional em Ciência, Tecnologia, Inovação
    Cláudia Turco

  4. CTS Brazuca
    Henrique Cukierman

  5. #HeyAtualizeMinhaVoz #Olhando para a inteligência artificial dos CHATBOTS
    Marcia Cardoso


Quarta-feira 15 de Dezembro de 9:30 até as 12:30
Debate: Futuro do Necso e Ato-Rede 2022
Provocações:
  1. Para Fugir da Mesmice
    Eduardo Paiva

  2. Enredando Conhecimentos
    Cláudia Turco

  3. ATO-REDE: 20 anos um aforismo de Nelson Rodrigues para cada um desses ânus
    Eduardo Paiva

  4. Luzes, câmera, ação! Texto de curta-metragem dos vinte anos do Ato-Rede, Encontro Anual dos Estudos de Ciência, Tecnologia & Sociedade
    Eduardo Paiva

Atividade Cultural: Raquel Siqueira (UFSB)

Provocações

 

Ato-Rede 2021

Provocações



Primeiro Dia - Direito, Ciência e Tecnologia
Dia 13/12 - de 13:30 às 16:30

  1. Discutindo o direito de propriedade intelectual por outros olhares
    Marcos Vinício Chein Feres
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-discutindo-o-direito-de.html

  2. A Vida não é Útil
    João Sérgio Assis
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-vida-nao-e-util-joao-sergio.html

  3. Quem Ama Veste a Camisa
    Eduardo Paiva
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-quem-ama-veste-camisa.html

  4. Consensos e Consensos sobre os Fatos
    Miguel Jonathan
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-consensos-e-consensos-sobre.html

  5. Como ser Anticientífico
    Eduardo Paiva
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-como-ser-anticientifico.html

  6. Marketing da Verdade
    Miguel Jonathan
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-marketing-da-verdade-miguel.html


  7. É mesmo o Direito a garantia do exercício da possibilidade ou mais galimatias?
    Eduardo Paiva
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-e-mesmo-o-direito-garantia.html

Segund Dia - Controvérsias sobre a Cannabis medicinal no Brasil
Dia 14/12 - de 09:30 às 12:30

  1. Uso Medicinal da Cannabis
    Marcia Moraes
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-uso-medicinal-da-cannabis.html

  2. Mantendo o Respeito e Prestando Atenção
    Juliana Coutinho
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-mantendo-o-respeito-e.html

  3. Desigualdade Internacional em Ciência, Tecnologia, Inovação
    Cláudia Turco
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-desigualdade-internacional.html

  4. CTS Brazuca
    Henrique Cukierman
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-futebol-e-uma-agenda-cts.html

  5. #HeyAtualizeMinhaVoz #Olhando para a inteligência artificial dos CHATBOTS
    Marcia Cardoso
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-heyatualizeminhavoz-marcia.html


Terceiro Dia - Futuro do Necso e Ato-Rede 2022
Dia 15/12 - de 09:30 às 12:30

  1. Para Fugir da Mesmice
    Eduardo Paiva
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-para-fugir-da-mesmice.html

  2. Enredando Conhecimentos
    Cláudia Turco
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-enredando-conhecimentos.html

  3. ATO-REDE: 20 anos um aforismo de Nelson Rodrigues para cada um desses ânus
    Eduardo Paiva
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-ato-rede-20-anos-um-aforismo.html

  4. Luzes, câmera, ação! Texto de curta-metragem dos vinte anos do Ato-Rede, Encontro Anual dos Estudos de Ciência, Tecnologia & Sociedade
    Eduardo Paiva
    https://drive.google.com/file/d/1u1PzLSMcRivGZpfeM5jjoJX3rp_ivQ06/view?usp=sharing

sábado, 11 de dezembro de 2021

Provocação "Uso Medicinal da Cannabis" (Marcia Moraes)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Uso Medicinal da Cannabis

Marcia Moraes

Perdi o prazo para o envio das provocações, mas não cheguei a perder o desejo de provocar. Assim, deixo aqui registrado um pinga-fogo para o tema Controvérsias da Cannabis no Brasil. Partindo da proposição feminista de que o pessoal é político, coloco na roda a questão a partir da experiência que vivi nos últimos 3 anos como cuidadora de meu pai idoso, cego, acamado, com Parkinson em estágio terminal. O uso medicinal da cannabis para uma pessoa como meu pai significou melhora exponencial na qualidade de vida: diminuição do severo enrijecimento muscular causado pelo Parkinson, melhora do sono e possibilidade de supressão de algumas substâncias (drogas tarjas pretas) antes usadas no tratamento. Ora, a melhora da qualidade de vida da pessoa que é cuidada implica também na melhora da qualidade de vida de quem cuida e, como sabemos, em nosso mundo machista, são mulheres que fazem o trabalho do cuidado. Portanto, junto da controvérsia da cannabis medicinal em nosso país, há uma questão de gênero, de raça e de classe. Porque o acesso à cannabis é caro, burocratizado, oneroso. Como mulher branca, de classe média, com acesso à internet e a outros bens e serviços, consegui passar pela burocracia da Anvisa e usar a cannabis para cuidar de meu pai. Enquanto não tivermos uma liberação ampla do uso medicinal da cannabis – colocando-a como medicamento a ser dispensado no SUS – seguiremos na opressão às mulheres, na subalternização do trabalho do cuidado. A liberalização ampla e irrestrita do uso medicinal da cannabis é também uma política emancipatória para mulheres que cuidam de pessoas com relações extremas de dependências.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021