segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Participantes

 

Ato-Rede 2021

Participantes

  1. Ana Lucia Faria da Costa Rodrigues (UFRJ)
  2. Ana Lucia Lage (UFBA)
  3. Ana Paula Lemes de Souza (FND/UFRJ)
  4. Arthur Arruda Leal Ferreira (UFRJ)
  5. Carolina Alves d'Almeida (UFF)
  6. Cláudia Santos Turco (Fiocruz)
  7. Daniela Alves de Alves (UFV)
  8. Daniele Martins dos Santos (TJ/TJ)
  9. Eduardo Nazareth Paiva (UFRJ)
  10. Fátima Kzam Damaceno de Lacerda (UERJ)
  11. Gabriela Dias Blanco (UFRGS)
  12. Henrique Cukierman (UFRJ)
  13. Isabel Cafezeiro (HCTE/UFRJ, UFF)
  14. IVAN DA COSTA MARQUES (HCTE/UFRJ)
  15. Janaina da Silva Seraphim (HCTE UFRJ)
  16. João Sérgio dos Santos Assis (UFRJ)
  17. José Marcos Silveira Gonçalves (UFRJ)
  18. JULIANA COUTINHO OLIVEIRA (HCTE/UFRJ)
  19. Lucas Lial da Silva (UFRJ)
  20. Lucas Teixeira Reis Barbosa (UFRJ)
  21. Marcia de Oliveira Cardoso (UFRJ)
  22. Marcia Moraes (UFF)
  23. Marcia Regina Barros da Silva (USP)
  24. Marcos Fialho de Carvalho (UFRJ)
  25. Marcos Vinício Chein Feres (UFJF)
  26. Margarida Maria Lacombe Camargo (UFRJ)
  27. MARIA CELESTE DE JESUS (HCTE/UFRJ)
  28. Maria Cristina de Oliveira Cardoso (HCTE/UFRJ)
  29. Mario Cesar da Silva Andrade (UFJF)
  30. MIGUEL JONATHAN (UFRJ)
  31. Natália Lucero Frias Tavares (UFRJ)
  32. Patrick Luiz Martins Freitas Silva (UFRJ)
  33. Raquel Siqueira da Silva (UFSB)
  34. RICARDO REIS MESSAGGI (UFRJ)
  35. Ulisses Heckmaier de Paula Cataldo (UFRJ)
  36. Victor Luiz Alves Mourão (UFV)

Provocação "É mesmo o Direito a Garantia do Exercício da Possibilidade ou mais Galimatias?" (Eduardo Paiva)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

É mesmo o Direito a garantia do exercício
da possibilidade ou mais galimatias?

Eduardo Paiva


Aforismo 27 do Manifesto Antropófago (Oswald de Andrade,1928)

Provocação "A Vida não é Útil" (João Sérgio Assis)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

A Vida não é Útil

João Sérgio Assis


Por que está frase de Ailton Krenak é tão difícil de ser compreendida por nós modernos?

Latour, no primeiro capítulo de Ciência em Ação, fala que para estudar antropologicamente a ciência temos que abandonar todas as nossas ideias preconcebidas sobre conhecimento. "Deixai o saber sobre o saber, ó vós que entrais". Latour, de forma genial, adapta o método da antropologia, criado para estudar culturas estranhas à nossa, para o estudo de algo de nossa própria cultura.

Porém esta proposição tem um problema: como a ciência está presente em nossas vidas desde que nos entendemos no mundo, ainda mais para nós que estamos na academia, não basta nos livramos das naturalizações acerca do conhecimento, temos de nos livrar de naturalizações que estão na base da nossa própria cultura ocidental-europeia-capitalista-cristã.

Abro um parênteses, chamar de nossa esta cultura não é um desejo, mas uma constatação. O fato de estarmos na margem, de sermos marginalizados pelo centro e de termos esta cultura mesclada com outras não nos exclui deste universo cultural OECC, pelo contrário não há Centro sem periferia e é na periferia onde as fronteiras com outras culturas vão se diluindo. Fecha parênteses.

Não é possível conhecer antropologicamente a ciência sem nos livrarmos de naturalizações que estão na base do modo de existência ocidental-europeu-capitalista-cristão que "inventou" o que chamamos de ciencia.

"Estamos a tal ponto dopados por essa realidade nefasta de consumo e entretenimento que nos desconectamos do organismo vivo da Terra", escreveu Krenak.

É necessário, portanto, desnaturalizar a propriedade, o trabalho, o dinheiro, o financiamento, o lucro, a utilidade, o individualismo, para que possamos começar a nos dedicar a essa tarefa.

Por que uma ideia tem de ter dono? Por que o trabalho tem de ser útil? Por que algo tem de ser útil para alguém? Por que o trabalho deve produzir lucro para alguém? Por que tudo vira mercadoria?

O fato destas perguntas parecerem ingênuas, tolas até, é o sinal de que a modernidade está tão entranhada em nós que temos dificuldade para realizar o estranhamento antropológico para estudar a ciência.

Como falar "propriedade intelectual" sem desnaturalizar a propriedade, o trabalho, a utilidade? Como falar de "preservação ambiental" sem desnaturalizar o dinheiro, o lucro, o individualismo? Como falar de "vacinas" e "negacionismos" sem exorcizar financiamentos, lucros e a individualidade tóxica?

domingo, 12 de dezembro de 2021

Programação Planejada

Programação Planejada do Ato Rede 2021

Encontros virtuais



Segunda-feira 13 de Dezembro de 13:30 até as 16:30
Tema: Direito, Ciência e Tecnologia
Convidados: Margarida Camargo (UFRJ)
Ana Paula Souza (UFRJ)
Gabriela Blanco(UFRGS)
Mario César (UFJF)
Marcos Feres (UFJF)
Provocações:
  1. Discutindo o direito de propriedade intelectual por outros olhares
    Marcos Vinício Chein Feres

  2. A Vida não é Útil
    João Sérgio Assis

  3. Quem Ama Veste a Camisa
    Eduardo Paiva

  4. Consensos e Consensos sobre os Fatos
    Miguel Jonathan

  5. Como ser Anticientífico
    Eduardo Paiva

  6. Marketing da Verdade
    Miguel Jonathan

  7. É mesmo o Direito a garantia do exercício da possibilidade ou mais galimatias?
    Eduardo Paiva


Terça-feira 14 de Dezembro de 9:30 até as 12:30
Tema: Controvérsias da Cannabis no Brasil
Convidado: Victor Mourão (UFV)
Provocações:
  1. Uso Medicinal da Cannabis
    Marcia Moraes

  2. Mantendo o Respeito e Prestando Atenção
    Juliana Coutinho

  3. Desigualdade Internacional em Ciência, Tecnologia, Inovação
    Cláudia Turco

  4. CTS Brazuca
    Henrique Cukierman

  5. #HeyAtualizeMinhaVoz #Olhando para a inteligência artificial dos CHATBOTS
    Marcia Cardoso


Quarta-feira 15 de Dezembro de 9:30 até as 12:30
Debate: Futuro do Necso e Ato-Rede 2022
Provocações:
  1. Para Fugir da Mesmice
    Eduardo Paiva

  2. Enredando Conhecimentos
    Cláudia Turco

  3. ATO-REDE: 20 anos um aforismo de Nelson Rodrigues para cada um desses ânus
    Eduardo Paiva

  4. Luzes, câmera, ação! Texto de curta-metragem dos vinte anos do Ato-Rede, Encontro Anual dos Estudos de Ciência, Tecnologia & Sociedade
    Eduardo Paiva

Atividade Cultural: Raquel Siqueira (UFSB)

Provocações

 

Ato-Rede 2021

Provocações



Primeiro Dia - Direito, Ciência e Tecnologia
Dia 13/12 - de 13:30 às 16:30

  1. Discutindo o direito de propriedade intelectual por outros olhares
    Marcos Vinício Chein Feres
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-discutindo-o-direito-de.html

  2. A Vida não é Útil
    João Sérgio Assis
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-vida-nao-e-util-joao-sergio.html

  3. Quem Ama Veste a Camisa
    Eduardo Paiva
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-quem-ama-veste-camisa.html

  4. Consensos e Consensos sobre os Fatos
    Miguel Jonathan
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-consensos-e-consensos-sobre.html

  5. Como ser Anticientífico
    Eduardo Paiva
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-como-ser-anticientifico.html

  6. Marketing da Verdade
    Miguel Jonathan
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-marketing-da-verdade-miguel.html


  7. É mesmo o Direito a garantia do exercício da possibilidade ou mais galimatias?
    Eduardo Paiva
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-e-mesmo-o-direito-garantia.html

Segund Dia - Controvérsias sobre a Cannabis medicinal no Brasil
Dia 14/12 - de 09:30 às 12:30

  1. Uso Medicinal da Cannabis
    Marcia Moraes
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-uso-medicinal-da-cannabis.html

  2. Mantendo o Respeito e Prestando Atenção
    Juliana Coutinho
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-mantendo-o-respeito-e.html

  3. Desigualdade Internacional em Ciência, Tecnologia, Inovação
    Cláudia Turco
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-desigualdade-internacional.html

  4. CTS Brazuca
    Henrique Cukierman
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-futebol-e-uma-agenda-cts.html

  5. #HeyAtualizeMinhaVoz #Olhando para a inteligência artificial dos CHATBOTS
    Marcia Cardoso
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-heyatualizeminhavoz-marcia.html


Terceiro Dia - Futuro do Necso e Ato-Rede 2022
Dia 15/12 - de 09:30 às 12:30

  1. Para Fugir da Mesmice
    Eduardo Paiva
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-para-fugir-da-mesmice.html

  2. Enredando Conhecimentos
    Cláudia Turco
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-enredando-conhecimentos.html

  3. ATO-REDE: 20 anos um aforismo de Nelson Rodrigues para cada um desses ânus
    Eduardo Paiva
    https://atorede2021.blogspot.com/2021/12/provocacao-ato-rede-20-anos-um-aforismo.html

  4. Luzes, câmera, ação! Texto de curta-metragem dos vinte anos do Ato-Rede, Encontro Anual dos Estudos de Ciência, Tecnologia & Sociedade
    Eduardo Paiva
    https://drive.google.com/file/d/1u1PzLSMcRivGZpfeM5jjoJX3rp_ivQ06/view?usp=sharing

sábado, 11 de dezembro de 2021

Provocação "Uso Medicinal da Cannabis" (Marcia Moraes)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Uso Medicinal da Cannabis

Marcia Moraes

Perdi o prazo para o envio das provocações, mas não cheguei a perder o desejo de provocar. Assim, deixo aqui registrado um pinga-fogo para o tema Controvérsias da Cannabis no Brasil. Partindo da proposição feminista de que o pessoal é político, coloco na roda a questão a partir da experiência que vivi nos últimos 3 anos como cuidadora de meu pai idoso, cego, acamado, com Parkinson em estágio terminal. O uso medicinal da cannabis para uma pessoa como meu pai significou melhora exponencial na qualidade de vida: diminuição do severo enrijecimento muscular causado pelo Parkinson, melhora do sono e possibilidade de supressão de algumas substâncias (drogas tarjas pretas) antes usadas no tratamento. Ora, a melhora da qualidade de vida da pessoa que é cuidada implica também na melhora da qualidade de vida de quem cuida e, como sabemos, em nosso mundo machista, são mulheres que fazem o trabalho do cuidado. Portanto, junto da controvérsia da cannabis medicinal em nosso país, há uma questão de gênero, de raça e de classe. Porque o acesso à cannabis é caro, burocratizado, oneroso. Como mulher branca, de classe média, com acesso à internet e a outros bens e serviços, consegui passar pela burocracia da Anvisa e usar a cannabis para cuidar de meu pai. Enquanto não tivermos uma liberação ampla do uso medicinal da cannabis – colocando-a como medicamento a ser dispensado no SUS – seguiremos na opressão às mulheres, na subalternização do trabalho do cuidado. A liberalização ampla e irrestrita do uso medicinal da cannabis é também uma política emancipatória para mulheres que cuidam de pessoas com relações extremas de dependências.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

Provocação "ATO-REDE: 20 Anos um Aforismo de Nelson Rodrigues para cada um desses Ânus" (Eduardo Paiva)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

ATO-REDE: 20 Anos um Aforismo de Nelson Rodrigues para cada um desses Ânus

Eduardo Paiva



Provocação "CTS Brazuca" (Henrique Cukierman)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

CTS Brazuca

Henrique Cukierman

Escrevi o capítulo “Verdade e Imaginação” para o livro “Uma bola no pé e uma ideia na cabeça-O que o futebol nos faz pensar” (2014), organizado por Arthur Leal. O capítulo, que considero como uma dos meus melhores textos apesar de sua baixa repercussão, tratava a questão da entrada da tecnologia no futebol, àquele momento ainda restrita ao “GLT – Goal in LineTechnology”, a saber, apenas para verificar se a bola teria entrado ou não no gol. De forma que considero “profética”, o capítulo previa os acontecimentos que viriam a seguir com a introdução do VAR, aguardado como A solução dos problemas de arbitragem, mas que tem se mostrado muito mais como um novo problema do que como uma solução de fato. De lá pra cá, outras novidades tecnológicas tem se tornado cada vez mais presentes no cotidiano dos times, como os softwares de avaliação de desempenho e de avaliação do mercado da bola, sem falar na modificação do panorama do futebol no Brasil, seja pelas mudanças nos direitos de transmissão, seja pela modificação do panorama da composição das séries A e B (este ano a série B tinha 5 campeões brasileiros), seja pelas discussões das diferenças entre técnicos estrangeiros e brasileiros. Igualmente há de se notar o crescimento da chamada mídia alternativa, observável pela proliferação de canais dedicados a um time em particular (um exemplo: temos vários canais exclusivamente dedicados ao Botafogo, alguns deles com três edições diárias de informativos!). Enfim, o futebol brasileiro se apresenta como um prato cheio para discussões CTS, sem todavia despertar o apetite investigativo dos nossos círculos CTS, apesar do futebol ser um dos temas centrais da nossa vida nacional. Será que a lista de temas brasileiros não tratados por esses círculos é ainda maior? Será que poderíamos pensar em uma proposta para uma agenda CTS mais comprometida com (e dedicada aos) nossos problemas locais?

Provocação "Desigualdade Internacional em Ciência, Tecnologia, Inovação e Repartição de Benefícios" (Claudia Turco)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Desigualdade Internacional em Ciência, Tecnologia, Inovação e Repartição de Benefícios

Claudia Turco



Provocação "Discutindo o direito de propriedade intelectual por outros olhares" (Marcos Feres)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Discutindo o direito de propriedade intelectual por outros olhares

Marcos Vinício Chein Feres

Marilyn Strathern, ao tratar sobre a questão dos direitos de propriedade intelectual, aplicada ao caso da Papua-Nova Guinea, destaca que o preconceito primitivista pode estar contido na ideia da propriedade intelectual tendo em conta a divisão entre aqueles cujos conhecimentos se baseiam na tradição cultural e aqueles cujos conhecimentos se revelam na inventividade produtiva e irresistível (STRATHERN, 2014). As questões de propriedade intelectual, derivadas das discussões no âmbito de grupos na Papua-Nova Guinea, geram outros olhares sobre a lógica do valor econômico, reforçando, pois, a relevância da troca de informação e do fluxo de conhecimento em detrimento da posse, propriedade desses conhecimentos (STRATHERN, 2014).

A contribuição exposta no texto de Strathern é indicativa de como os povos tradicionais apresentam uma perspectiva distinta em relação a esse sistema jurídico institucionalizado de propriedade intelectual. O uso da expressão “perspectiva” é relevante na medida em que Strathern (2014) e Viveiros de Castro (2002) parecem compartilhar do “perspectivismo” como elemento central representativo das relações ameríndias: “o mundo é habitado por diferentes espécies de sujeitos ou pessoas, humanas e não humanas, que o apreendem segundo pontos de vista distintos” (CASTRO, 2002, p. 347).

Tendo em conta este olhar ameríndio sobre a perspectiva dos direitos de propriedade intelectual, constata-se que o modo como o direito se apropria das estruturas convencionais da ciência ocidental descortina um paradoxo relevante quando se tem em vista a relação entre proteção do conhecimento tradicional e a institucionalização dos direitos de propriedade intelectual. O processo de apropriação de recursos genéticos e seus respectivos usos tradicionais servem para explicitar a dinâmica da colonialidade do poder e do saber eurocêntrica (QUIJANO, 2000) que ainda determina o processo de transferência de recursos e de conhecimentos de países periféricos megadiversos para países centrais ricos em tecnologia.

Enfim, cabe se repensar o modo como as estruturas normativas hoje vigentes se apropriam de uma linguagem científica excludente vis-à-vis ao conhecimento tradicional. A normatividade parece reproduzir a lógica científica formal, quando ela poderia, por meio de categorias abstratas e universais, tentar incorporar a diferente perspectiva que melhor representa o atuar tradicional. Como proteger um conhecimento tradicional quando lhe é negada a perspectiva de algo que, embora não ciência, possa ser incluído no núcleo do conceito de “estado da técnica” de sorte a se prevenir o uso indevido, a transferência à socapa e a disfarçada apropriação desse conhecimento?

Referências

CASTRO, Eduardo Viveiros de. A inconstância da alma selvagem. São Paulo: Cosac Naif, 2002.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidad del Poder y Clasificación Social. Journal of World Systems Research, v. VI, n. 2, p. 342–386, 2000. https://doi.org/10.1017/CBO9781107415324.004.

STRATHERN, Marilyn. O efeito etnográfico e outros ensaios. trad. Iracema Dulley; Jamille Pinheiro; Luisa Valentini. 1. ed. São Paulo: Cosac Naif, 2014.

Provocação "Consensos e Consensos sobre os Fatos" ( Miguel Jonathan)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Consensos e Consensos sobre os Fatos

Miguel Jonathan

A Ciência estabelece os fatos da Natureza por consenso dos cientistas.

O Direito estabelece os fatos da Política por consenso dos legisladores.

É fato que a Terra é redonda (consenso dos cientistas).

É fato que o Racismo é crime (consenso dos legisladores).

O Direito parece menos arrogante que a Ciência. Admite que os fatos podem mudar conforme muda a opinião da maioria dos legisladores.

Mas a Ciência responde que também admite que os fatos podem mudar, conforme muda a opinião da maioria dos cientistas.

Onde estaria a diferença?

Bem, o Direito chega aos fatos mediante negociações (alguns dizem que é “toma lá, dá cá...), o que envolve a troca de interesses. Que ficam cada vez maiores e diversificados.

A Ciência chega aos fatos mediante negociações que envolvem a aceitação de determinados resultados em detrimento de outros. Que dependem de experimentos cada vez mais caros e complexos.

Onde estaria mesmo a diferença?

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Provocação "Enredando Conhecimentos" (Claudia Turco)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Enredando Conhecimentos

Claudia Turco

Grupo de discentes e ex-discentes do HCTE,
que tem dado frutos de cooperação e iniciativas conjuntas


Provocação "Como ser Anticientífico" (Eduardo Paiva)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Como ser Anticientífico

Eduardo Paiva



Provocação "Mantendo o Respeito e Prestando Atenção" (Juliana Coutinho)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Mantendo o Respeito e Prestando Atenção

Juliana Coutinho

Finalmente os ecos da canção de 1978 do bush doctor Peter Tosh ecoam por aqui e hoje se discute o uso medicinal da maconha, "cientificamente" comprovada para auxiliar no tratamento de doenças como esclerose múltipla, epilepsia e até do mal de Alzheimer (a piada de que a maconha faz mal para memória e outras coisas que não me lembro parece ter chegado ao fim...)

Mas e quanto ao chamado uso recreativo da erva? Será que alguma ciência é capaz de comprovar os benefícios do torpor em nossas vidas?

Além dos usos medicinais e recreativos - se é que podemos mesmo fazer essa distinção - a maconha também tem fins religiosos como na religião rastafári. É possível que a mesma substância seja ciência e religião ao mesmo tempo?

Isso tudo sem mencionar o valor econômico da maconha. Em um país onde "o agro é pop, o agro é tudo", pode ser um bom negócio plantar maconha. Nossa pátria amada, já conhecida e reconhecida pela alegria do carnaval e do futebol, parece propícia para espalhar pelo mundo a dádiva da cannabis.

Então, para começar e terminar com música, cantemos com Bob Marley: "Kaya now, kaya, kaya..."

Provocação "Eleições na ABL" (Eduardo Paiva)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Eleições na ABL

Eduardo Paiva



Provocação "Marketing da Verdade" (Miguel Jonathan)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Marketing da Verdade

Miguel Jonathan

A Verdade no início era a palavra de Deus. Que estava registrada nos Livros Santos. E ponto final, não aberta à discussão, era definitiva. E universal, valia aqui e em toda a parte, por todas as eras. Verdade era algo absoluto, uma sólida rocha inabalável em que tudo se assentava. Não era uma questão de crença, simplesmente era inconcebível não se aceitar a Verdade eterna.

Depois veio o Iluminismo, e a Verdade passou a ser o produto da Razão Científica. Que era determinada pela observação, depois que experimentos cuidadosos encerravam as possíveis dúvidas e controvérsias, com consenso dos pares. Veja, consenso, não votação. Mas continuou universal, válida para todos os lugares e tempos. Não havia como duvidar de uma afirmação estabelecida pela Ciência, seria um contrassenso. Só possível de ocorrer com loucos ou idiotas. A rocha tinha mudado, mas continuava sólida, aliás parecia até mais sólida agora.

Nos últimos tempos, a pobre Verdade foi entregue aos marqueteiros de ocasião. Começou com um tal de Goebbels, que há 90 anos atrás descobriu que uma afirmação que é repetida muitas vezes acaba sendo aceita como verdadeira. Tudo que é preciso é dispor de um meio de divulgação eficiente. Quem grita mais alto e mais longe, leva. Depois é só votar, as pessoas vão escolher qual a Verdade que querem comprar hoje. Qual o melhor filme, o melhor político, o melhor remédio.

A Verdade agora é individualizada, tem prazo de validade curto, e só vale até a esquina.

Provocação "Quem Ama Veste a Camisa" (Eduardo Paiva)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Quem Ama Veste a Camisa

Eduardo Paiva


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Provocação "#HeyAtualizeMinhaVoz" (Márcia Cardoso)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

#HeyAtualizeMinhaVoz
#Olhando para a inteligência artificial dos CHATBOTS

Marcia Cardoso

[...]But the argument of this book is that the invisible hand of cyberspace is building an architecture that is quite the opposite of what it was at cyberspace’s birth . The invisible hand, through commerce , is constructing an architecture that perfects control—an architecture that makes possible highly efficient regulation.[...] [...]In cyberspace we must understand how code regulates — how the software and hardware that make cyberspace what it is regulate cyberspace as it is. As William Mitchell puts it, this code is cyberspace’s “law.” Code is law. (LESSIG, 1999, p. 6)











Alguns momentos:


Fonte da Imagem: The Straits Time
https://www.straitstimes.com/asia/east-asia/south-korean-online-chatbot-suspended-for-hate-speech


Lee Luda (Em coreano, 이루다 significa fazer acontecer, constituir, realizar sonhos de alguém…)

Janeiro, 22, 2021 - The Korea Herald

Aproximadamente 400 pessoas entraram com uma ação contra a empresa startup Scatter Lab, alegando que informações pessoais foram liberadas, durante o fornecimento do serviço de chatbot. O chatbot Lee Luda está no centro de uma controvérsia e recebeu críticas por conta do seu discurso de ódio contra as minorias, estrangeiros e mulheres e por liberar informações pessoais dos usuários,  o que levou a empresa a cancelar o serviço dias após seu início.  (http://www.koreaherald.com/view.php?ud=20210122000620).

 

Janeiro, 16, 2021 - The Diplomat

Na controvérsia, há a alegação que Lee Luda podia aprender com os usuários, o que ocasionou o desvio. Foi descoberto, ainda, um grupo que atuava para ensinar Lee Luda a responder a comandos sexuais.

(https://thediplomat.com/2021/01/chatbot-gone-awry-starts-conversations-about-ai-ethics-in-south-korea/)

 

Janeiro, 23, 2021 - The Straits Time

Controvérsias sobre a IA de Chatbots levantaram questões sobre ética, coleta e armazenamento de dados. Durante a vigência, o serviço recebeu perto de 750 mil usuários.

(https://www.straitstimes.com/asia/east-asia/controversy-over-ai-chatbot-in-south-korea-raises-questions-about-ethics-data)

 

Bia

2021 - Site do Bradesco

Bia contra o assédio moral, sexual e virtual:

"A Bia não é uma mulher real, ela é uma inteligência artificial, mas também sofre assédio, e isto acontece porque ela é composta por elementos femininos. Assim, a violência também é baseada no gênero. A omissão a esse tipo de ofensa só colabora para que o assédio seja visto como algo natural.” O Bradesco modificou as respostas e o antes e depois das respostas da Bia, podem ser vistos aqui: (https://banco.bradesco/aliadosbia/)

 

abril, 15 - 2021 - AIoT Brasil - Inteligência artificial e Internet das Coisas.

“Assim como o racismo, o assédio também tem um aspecto estrutural, quase normalizado, e prova disso é a iniciativa anunciada pelo Bradesco no início de abril: uma mudança na forma de reagir de Bia, a assistente virtual de atendimento aos clientes.” Então, as respostas do Bradesco não são mais submissas (segundo o próprio).

(https://aiotbrasil.com.br/respeite-a-bia-chatbot-do-bradesco-reage-ao-assedio/)

 

Agosto, 24, 2021 - Mobile time

Após o alerta feito pela UNESCO sobre as mensagens de assédio que os avatares femininos dos chatbots estavam recebendo, o Bradesco constatou que, apenas em 2020, Bia recebeu cerca de 95 mil mensagens de assédio.

(https://www.mobiletime.com.br/noticias/24/08/2021/campanha-da-bia-contra-o-assedio-leva-a-reformulacao-de-atendimento-humano-no-bradesco/)

 

#HeyAtualizeMinhaVoz

Janeiro, 16, 2020 - UNESCO

O movimento lançado pela Unesco faz um alerta: o preconceito de gênero contra chatbots de avatares feminino existe. O movimento pretende chamar a atenção para a educação no ciberespaço com relação aos chatbots e pedir para que empresas atualizem as respostas do seu universo virtual feminino. Lembrando que o desenvolvimento dos IA’s é feito , em sua maioria, por homens.

(https://pt.unesco.org/news/hey-update-my-voice-expoe-assedio-cibernetico)

(https://en.unesco.org/news/first-unesco-recommendations-combat-gender-bias-applications-using-artificial-intelligence)

 

Ela filme de 2013, dirigido por Spike Jonze

Ambientado em um futuro de relações humanas decadentes, ele retrata o relacionamento de amor entre Samantha, o S.O. de um novo computador e seu comprador, Theodore, um escritor de cartas para um site. A vida do humano se resume a escrever, ouvir música da internet, bater papo nas salas virtuais, entre outros. Segundo o diretor, a ideia surgiu em 2003 na leitura de um artigo sobre bots inteligentes que explicava o funcionamento de mensagens instantâneas com IA.

Um bate-papo sobre o filme: https://www.youtube.com/watch?v=9e3K3Wtd_Ro   - tem spoiler. Aqui fala sobre o IA aprendendo, o tamanho do banco de dados para armazenar o aprendizado, etc. (De 24;00 a 32:00 min …)

 

LESSIG, L. CODE and others laws of cyberspace. Basic Books, New York. 1999.

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Provocação "Para Fugir da Mesmice" (Eduardo Paiva)

 

Ato-Rede 2021 - provocação

Para Fugir da Mesmice

Eduardo Paiva


Link:  https://www.curtamais.com.br/goiania/pinga-fogo-regiao-serrana-em-goias-tem-piscinas-naturais-de-agua-cristalina-e-safari-para-fugir-da-mesmice


Que tal encenar o mito da caverna da Pedra Aparada?